As idas a uma tradicional feira de rua da capital paulista podem traduzir em um único espaço o misto de conservadorismo, que a cidade apesar de moderna ainda tem, e personagens “fora dos padrões”. Formado por três nordestinos, gays e enérgicos, o Clube Lambada representa essa vontade de quebra de paradigmas por meio de diversas manifestações. Matheus Sandes (Maceió/AL), 25, é fotógrafo e também se arrisca no bordado. Herbert Loureiro (Maceió/AL), 27, é ilustrador e trabalha como designer gráfico, e Pedro Nekoi (Recife/PE), 24, é designer gráfico e faz as colagens digitais.

O Trio proibido por trás do Clube Lambada

Ruth & Raquel, postal do Herbert. Dimensões: 10x15cm, couché 300g. Foto: Divulgação

Dessa tríade, surge a força para falar de origens e representação. “Lambada é um ritmo quente, que trás pra perto, e isso tem muito a ver com nossas abordagens e como a gente se comunica com as pessoas”, comentam eles. Juntos, não apenas pela identificação estética, os meninos afirmam que torcem para que os trabalhos cheguem a outros lugares desconhecidos. “A ideia também é que a Lambada crie uma própria linguagem nas suas produções”, prenunciam.

Como tudo é muito recente, as ideias estão surgindo e os frutos vão se integrando aos poucos. O momento é inspiracional e serve para que cada um sinta as poéticas individuais e como elas funcionam dentro do grupo. Questionamentos internos sobre sexualidade, o corpo e estilo de vida são algumas das temáticas. “O que, na verdade, faz os nossos trabalhos tomarem forma são os atravessamentos diários que temos em nossas vidas, que misturamos com nossas referências, brotando esse caldeirão colorido que são nossas produções”, refletem.

O Trio proibido por trás do Clube Lambada

As cores da Lambada: Pedro, Matheus e Herbert. Foto: Divulgação

O tempo curto de vida não foi parâmetro para a participação do Clube em algumas feiras de publicações independentes de São Paulo. Entre elas, Fêra féra VII: o casamento, Tinta Fresca e Diversa Fest – Festival de Cultura LGBT, e mais algumas no currículo para os próximos meses. O espaço expositivo garante a troca de que eles precisam para entenderem melhor as nuances das materializações do processo. No corpo a corpo, assim como no ritmo proibido do som paraense, o suor escorre lambiscando que estão na dança certa. Vale acompanhar de perto e com os olhos bem abertos! Veja + na galeria!

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