Arquiteto por formação, o estilista Diego Fávaro leva para seu processo criativo a verve geométrica que tanto vemos nas peças conceituais. Defendendo a proposta de uma moda plurilateral, a marca homônima criada há dois anos é um dos destaques do Projeto Lab, da Casa de Criadores. Com quatro coleções lançadas, duas delas desfiladas na CdC (Inverno 2015 e Verão 2016), ele encontra nas formas aparentemente simples dos modernistas Le Corbusier e Mies Van Der Rohe o caldo para elaborar os looks complexos.

O estilista Diego Fávaro no desfile de Verão 2016. Foto: Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

O estilista no desfile de Verão 2016. Foto: Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

Para os próximos meses, Diego está cheio de novidades e projetos. Seu inverno, chamado “Oxigênio”, foi redesenhado numa produção maior para ser comercializado no e-commerce da marca e na FFATRI, loja online que será lançada nesse segundo semestre com peças autorais de novos estilistas. No último desfile-happening de Verão 2016, inspirado em Tóquio, sua moda surgiu mais comercial. A coleção vem com pegada street, abrindo espaço para os acessórios já conhecidos roubarem a cena com todo seu aparato tecnológico.

Bebendo dessas novas fontes e ganhando mais admiradores a cada temporada, o designer se destaca entre os novos nomes para acompanhar. Abaixo, IT’S fez quatro perguntas-chave para Diego:

IT’S: Suas peças flertam com uma linguagem arquitetônica. Como sua formação em Arquitetura e Urbanismo influencia na criação delas?
Diego: É muito engraçada essa minha relação com a Arquitetura e a Moda. Eu venho de uma família de costureiras, cresci no meio de uma produção de roupas e nunca pensei em fazer uma faculdade na área. No terceiro colegial, eu decidi que faria Arquitetura, que naquele momento era o que mais me fascinava, eu adorava fazer perspectivas urbanas na aula de artes. No segundo ano na universidade, comecei a perceber minha paixão pela moda, e fui buscar cursos para fazer paralelamente com a faculdade. No decorrer dos anos da graduação, fui criando a minha própria estética, algo que eu realmente sentia.

A coleção "Oxigênio" de Inverno 2015. Foto: Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

A coleção “Oxigênio” de Inverno 2015. Foto: Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

IT’S: Quais suas outras inspirações e referências?
Diego: As minhas referências vêm do cotidiano, no que eu sinto vontade de abordar naquele momento, ou no mundo que eu quero descobrir. Nestas duas últimas coleções, eu acabei escolhendo o tema depois de ouvir as músicas que futuramente fizeram parte da trilha sonora do desfile. É algo encantador poder entrar em universos diferentes a cada seis meses, descobrir novas ideias e novas possibilidades.

As campanhas de Outono-Inverno 2014 e Verão 2015. Foto: Divulgação

As campanhas de Outono-Inverno 2014 e Verão 2015. Foto: Divulgação

IT’S: Seus acessórios também são sempre bem elaborados. Como eles são produzidos?
Diego: Geralmente eu começo a coleção pelos acessórios. É uma área que eu gosto bastante, mas por ser um criador iniciante no mercado, acaba não sendo muito viável produzir para venda. 80% das peças são criações minhas, os sapatos, mochilas, bonés. Nesta última coleção “Tokyo”, usamos um tênis com luz de LED de uma marca internacional no solado.

A bag pack desenvolvida pelo estilista. Foto: Reprodução

A bag pack desenvolvida pelo estilista. Foto: Reprodução

> Veja todas as imagens do desfile de Verão 2016 de Diego Fávaro.

IT’S: E seu Verão 2016?
Diego: A coleção de verão tem como principal referência a moda de rua japonesa e alguns pontos da cultura jovem, como animes e mangás. Pegamos como base os jovens do bairro Harajuku, que têm estas características visualmente impressas, formando uma tribo. A desconstrução e a sobreposição são elementos presentes em quase todas as peças, predominantemente feitas em branco e preto, com pontos em mostarda, laranja e estampas que brilham no escuro. As ideias das sobreposições com pontas que dão movimento são referentes aos desenhos japoneses, que em grande parte têm como principal característica as batalhas. Outra forte referência que ajuda a construir a coleção é a imagem urbana da cidade, a poluição visual e o excesso de informação, propaganda e luminosidade, que resultou em estampas TAG e nos acessórios com LED. As peças unissex foram construídas em tela esportiva, viscose e tule de poliéster, com aplicações de metais que trazem sonoridade.

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